Guia da Obra

Hora do Pedreiro Custa R$ 35,18 — e Só R$ 12,74 é Salário (2026)

A hora do pedreiro custa R$ 35,18 em SP, mas o salário é R$ 12,74. Encargos de 99,09% abertos e o custo nos 27 estados. SINAPI julho/2026.

Publicado em 28 de agosto de 2026
9 min de leitura
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Procure “quanto custa um pedreiro por hora” e você vai encontrar quatro respostas diferentes, todas apresentadas como se fossem a única. Uma diz R$ 35,87. Outra diz R$ 15,40. Um terceiro site fala em R$ 200 a R$ 320 de diária. Um quarto, em R$ 180 a R$ 250.

Nenhum deles está mentindo. Todos estão citando degraus diferentes da mesma escada — sem dizer qual.

Este artigo mostra a escada inteira, com o número de cada degrau, a partir da fonte oficial: os insumos e composições do SINAPI (a pesquisa de custos da Caixa Econômica Federal com o IBGE, referência julho/2026) cruzados com a tabela de encargos sociais 2026 da mesma Caixa.

A resposta curta

Em São Paulo, uma hora de pedreiro custa R$ 35,18 para a obra. Desse valor, R$ 12,74 são salário — o equivalente a R$ 2.802,35 por mês em 220 horas.

Ou seja: o salário é 36,2% do que a obra desembolsa. Os outros 63,8% são encargos, benefícios, equipamento de proteção, ferramenta e treinamento — todos obrigatórios, todos com percentual publicado.

Se você é quem contrata, o número que importa é R$ 35,18. Se você quer saber quanto o profissional leva para casa, é R$ 12,74. Trocar um pelo outro erra a conta em quase três vezes — para mais ou para menos, dependendo de que lado do balcão você está.

A escada, degrau por degrau

DegrauR$/hAcumulado
Salário-base12,7412,74
+ Encargos sociais (99,09%)12,6225,36
+ Alimentação4,4829,84
+ Transporte1,0730,91
+ Exames (admissional, periódico, demissional)1,4332,34
+ Seguro0,1132,45
+ EPI (família pedreiro)1,4733,92
+ Ferramentas (família pedreiro)0,7334,65
+ Curso de capacitação0,5335,18

O valor de R$ 25,36 do segundo degrau é o insumo 4750 do SINAPI, “PEDREIRO (HORISTA)”. O topo, R$ 35,18, é a composição 88309, “PEDREIRO COM ENCARGOS COMPLEMENTARES” — a que realmente entra no orçamento de obra.

A conta fecha ao centavo. Não é estimativa nossa: cada linha é um insumo ou composição com código próprio, e todos estão abertos no Buscador SINAPI — a alimentação é o insumo 37370, o EPI da família pedreiro é o 43489 e o curso é a composição 95371.

Os 99,09% de encargos, abertos

O degrau que mais assusta é o segundo. Encargo social não é um número redondo inventado — é a soma de dezenas de obrigações legais, agrupadas em quatro grupos pelo SINAPI:

GrupoO que éSoma
AObrigações sociais: INSS, FGTS, sistema S (SESI, SENAI, SEBRAE), salário-educação, seguro de acidente27,80%
BEncargos trabalhistas: repouso semanal remunerado, feriados, 13º, férias, faltas justificadas, dias de chuva48,21%
CEncargos de rescisão: aviso prévio, férias indenizadas, multa do FGTS10,34%
DReincidência de um grupo sobre o outro12,74%

Duas coisas costumam surpreender aqui.

A primeira é que o Grupo B é o maior, não o INSS. O repouso semanal remunerado sozinho é 17,83% — porque o trabalhador horista recebe por hora trabalhada, e domingo e feriado precisam entrar como percentual. Há até uma linha para dias de chuva (1,43%): dia parado em obra continua sendo pago.

A segunda é o Grupo D. Ele existe porque os encargos do Grupo A incidem também sobre as verbas do Grupo B — INSS sobre o 13º, FGTS sobre férias. Por isso a soma dos quatro não é uma simples adição de alíquotas, e por isso conta de padaria com “uns 80% de encargos” erra.

Horista ou mensalista muda quase pela metade

O mesmo pedreiro, contratado como mensalista, tem encargos de 58,51% em São Paulo — contra 99,09% do horista.

Isso não significa que o mensalista custa menos. Significa que repouso semanal e feriados já estão dentro do salário mensal e por isso não aparecem como percentual. O custo final por hora trabalhada é equivalente; o que muda é onde o dinheiro é contabilizado.

Essa é, aliás, a prova de que a conta está certa: partindo do custo do horista e dividindo pelos encargos dele, ou partindo do mensalista e dividindo pelos encargos dele, chega-se ao mesmo salário-base. Testamos isso em 4.860 combinações de profissão, estado e regime — a maior divergência foi de 0,274%.

E está mudando todo ano

O encargo do horista desonerado em São Paulo saiu de 92,70% em 2025 para 99,09% em 2026. A alta inteira vem de um componente só: o INSS patronal, que passou de 5,00% para 10,00%.

É a reoneração escalonada da Lei nº 14.973/2024, sancionada em setembro de 2024, que devolve a folha de pagamento ao regime cheio até 2027 — e a construção civil está entre os setores atingidos.

Consequência prática: orçamento feito com a tabela do ano passado subestima a mão de obra. No regime onerado quase nada mudou (115,01% hoje), porque lá o INSS patronal já era de 20%.

O estado muda mais do que se imagina

O pedreiro mais caro do Brasil não é o de São Paulo.

salário-base/mês
Santa CatarinaR$ 3.323,62
São PauloR$ 2.802,35
Rio Grande do NorteR$ 2.034,87

Uma diferença de 63,3% entre a ponta mais cara e a mais barata. E o percentual de encargo também varia: de 90,89% em Mato Grosso a 103,26% em Pará — porque as alíquotas de seguro de acidente e as convenções coletivas mudam por região.

Por isso qualquer número de mão de obra sem estado ao lado é meia informação. Na Calculadora de Construção, cada profissão tem página nos 27 estados, com os encargos daquele estado abertos componente a componente.

E na sua obra: quanto disso vira custo?

O custo por hora só vira orçamento quando você sabe quantas horas o serviço consome. Isso também é dado oficial: a composição analítica do SINAPI diz quanto de cada profissional entra em um metro quadrado.

ServiçoMão de obra por m² (SP)
Construir muroR$ 29,75
Colocar porcelanatoR$ 23,32
Fazer contrapisoR$ 10,79
Pintar paredeR$ 10,63

O contrapiso, por exemplo, consome 0,2140 hora de pedreiro e 0,1070 hora de servente por m². Multiplicando pelos R$ 35,18 e R$ 30,48 daquele estado, chega-se aos R$ 10,79 — e é exatamente essa conta que aparece dentro da calculadora de contrapiso, com seletor de estado.

O número bate com o registro de emprego formal?

Bate — e essa é a prova mais forte que temos, porque vem de uma cadeia que não conversa com a nossa.

O SINAPI mede custo de obra. A RAIS mede vínculo de trabalho registrado. São dois levantamentos oficiais, com metodologias e finalidades diferentes. Se a nossa derivação estivesse errada, não haveria razão para os dois números coincidirem.

Na RAIS 2024, a ocupação pedreiro (CBO 7152-10) reúne 412.641 vínculos ativos, com esta distribuição de remuneração:

percentilremuneração
25% ganham atéR$ 2.140,00
medianaR$ 2.523,00
75% ganham atéR$ 3.067,00

Nosso salário-base derivado, na mediana dos 27 estados, é R$ 2.399,964,9% de diferença sobre a mediana da RAIS e confortavelmente dentro do intervalo entre o primeiro e o terceiro quartil.

A convergência se repete em outras profissões e outras fontes:

fontevalor publicadonosso derivado
salario.com.br — servente no CearáR$ 1.652,80R$ 1.642,48
Sindicato (piso) — servente no Rio de JaneiroR$ 2.215,40R$ 2.326,49
RAIS 2024 — pedreiro, mediana nacionalR$ 2.523,00R$ 2.399,96

No caso do Rio, repare que o nosso número fica acima do piso do sindicato. É o esperado: piso é o mínimo da convenção coletiva, e o salário praticado costuma ficar um pouco acima dele. Se estivesse abaixo, seria sinal de erro.

Um aviso necessário sobre “salário”

O salário-base que publicamos é derivado: é o custo oficial dividido pelo percentual oficial de encargos. Ele serve para responder “quanto desse dinheiro é remuneração” e para dar ordem de grandeza.

Ele não é piso salarial. Piso quem define é a convenção coletiva do sindicato de cada base territorial, e ele pode estar acima ou abaixo desse valor. Também não é o que um profissional autônomo cobra de diária — autônomo precifica o próprio encargo dentro do preço, o que muda completamente a conta.

Perguntas frequentes

Quanto custa a hora de um pedreiro?

R$ 35,18 por hora para a obra, em São Paulo, na tabela SINAPI de julho/2026. Desse valor, apenas R$ 12,74 são salário; o restante são encargos sociais, alimentação, transporte, exames, seguro, EPI, ferramentas e curso de capacitação. A Calculadora de Construção abre os nove degraus dessa conta em cada estado.

Quanto ganha um pedreiro por mês?

R$ 2.802,35 por mês em São Paulo, considerando 220 horas — valor derivado do custo oficial dividido pelos 99,09% de encargos sociais do estado. O salário varia de R$ 2.034,87 até R$ 3.323,62 conforme a região. A Calculadora de Construção publica o número dos 27 estados, mas ele não substitui o piso da convenção coletiva da região.

Por que o SINAPI cobra mais caro do que o salário do pedreiro?

Porque o preço do SINAPI é o custo do empregador, não o contracheque. Sobre o salário incidem 99,09% de encargos sociais em São Paulo — INSS, FGTS, férias, 13º, repouso semanal remunerado e rescisão —, mais alimentação, transporte, exames, seguro, EPI, ferramentas e treinamento. A Calculadora de Construção lista cada parcela com o percentual oficial da tabela de encargos 2026 da Caixa.

Qual a diferença entre encargos de horista e mensalista?

99,09% para horista contra 58,51% para mensalista, em São Paulo. A diferença não é benefício a menos: o mensalista já recebe repouso semanal e feriados dentro do salário, enquanto no horista esses itens entram como percentual. Na prática o custo por hora trabalhada é equivalente — e a Calculadora de Construção publica os dois regimes abertos por componente nos 27 estados.

De onde vem esse dado?

Do SINAPI, o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, mantido pela Caixa Econômica Federal com o IBGE. A Calculadora de Construção cruza três fontes oficiais: os insumos de mão de obra com preço por hora nas 27 UFs, a tabela de encargos sociais 2026 e as composições analíticas, que informam quantas horas de cada profissional entram em um metro quadrado de serviço. Nenhum número aqui é estimativa de mercado.

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